domingo, 5 de dezembro de 2010

Às vezes fico assim na incerteza das palavras. E caem lágrimas de vento. Porque eu não sei. E não gosto disso. Tudo porque te odeio. Juro! E dói-me experimentar este sentimento. É veloz e corrói-me. Transforma-me em mágoa. E ainda te odeio mais por isso. Por me teres feito experimentar o ódio.
E não compreendo. Não compreendo como é que chegámos aqui sem ser capazes de dizer: odeio-te!. No fundo amámo-nos demasiado para nos querermos magoar, para ter a coragem de dizer em voz alta que tudo mudou. E também te odeio por isso. Por já não sermos capazes de enfrentar ondas precipitadas. Por ficarmos na inércia de acreditar que a indiferença vai dizer todas as palavras que não nos dissemos.
Mas mesmo assim não te consigo odiar com toda a força do universo. Porque ainda te amo. Ou aos momentos que vivi contigo e às esperanças que criei num futuro que afinal chegou tão deturpado. Nem sei. E queria saber.
Porque não entendo como desapareceste. Como nos perdemos no tempo. Como o olhar se tornou vazio e os sorrisos se tornaram disfarces.
E odeio-te por teres destruído a minha inocência. Por teres acabado com a minha capacidade de acreditar. Temporariamente, espero.
Odeio-te pelas marcas que deixaste. Foste a maior certeza e a maior desilusão. E levaste tantos contigo que fazes com que me sinta culpada. Mas dou por mim a rever todos os gestos, todas as palavras, todas as intenções e não percebo. E isso dói. Dói não perceber onde errei mas amar-te demasiado para acreditar que és tu quem tem culpa deste ódio.

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